A literatura juvenil tem uma nova família, que chega na WS Editor para marcar época e fazer história: os Steiner.
A Série Caçadores de enigmas narra as aventuras da equipe de pesquisa do Museu Antropológico da Fundação Universitário Brasil – FUBra, chefiada por Alberto Steiner, que conta com o apoio da esposa Suzana. Os heróis, no entanto, são a esperta Angélica, mais conhecida como Lica, de 10 anos, a irmã Raquel, a narradora das peripécias do grupo, e o seu namorado Marcelo. Caçadores de enigmas – A gruta assombrada tem por cenário uma pacata povoação no interior do Rio Grande do Sul, onde estranhos fatos perturbam e intrigam os habitantes da região.
A aventura que envolve a montagem de uma expedição arqueológica é o ponto de partida da narrativa juvenil Caçadores de enigmas – A gruta assombrada , de Eni Allgayer. Numa pacata povoação no interior do Rio Grande do Sul, estranhos fatos começam a deixar intrigados os habitantes da região. Especialistas na área da antropologia e da arqueologia, valendo-se de informações sobre a mudança ambiental do povoado, dirigem sua atenção para a existência de uma caverna de conformação também inusitada e em torno da qual vão-se suceder os episódios que sustentam a narrativa.
Contada num ritmo capaz de provocar o interesse do leitor, A gruta assombrada é um livro que põe em dúvida a afirmação de que a leitura esteja em crise. Lembremo-nos de que o livro, em sua ambiência, é sempre uma forma de memória e de reconstrução. Objetivamente, A gruta assombrada não só recupera o prazer de ler, mas é também capaz de fazer com que os personagens se tornem agentes dos simbolismos que alimentam os gestos de sempre. É ainda significativo o fato de o enredo ilustrar as virtudes humanas ou situações extremas.
O caráter ativo que Eni Allgayer imprime ao texto é um modo de pôr em xeque um território obscuro cuja atmosfera une e separa coisas, homens e bichos, sem que isso se torne um empecilho para a sugestão de uma saga que se move nos interstícios da linguagem.
Os episódios que se dão no interior da ríspida caverna – o palco do conflito – acabam se dissolvendo numa visão mística, matizada pelos acontecimentos cujo enigma está centrado no mito do boitatá, a cobra de fogo. Ao contrapor a ação deletéria do mito da serpente de fogo e os limites do conhecimento, a autora realça o nexo estético que torna sofridamente luminoso o tumulto, de que resulta um mundo reconstruído de imagens brunidas pelo sortilégio da fabulação. (Victor Cunha)